F1: Outros heróis: irmãos Rodriguez

Domingo a Fórmula 1 correrá o 19º GP do México no circuito Los Hermanos Rodriguez. Na véspera da corrida, o site oficial da F1 resgata a história dos irmãos Rodriguez no texto de Jonny Reynolds.

Pedro e seu irmão mais novo Ricardo são os mais famosos pilotos do automobilismo mexicano. Nascidos em 1940 e em 1942, respectivamente, na Cidade do México, a dupla iniciou muito cedo nas competições, correndo provas nacionais em motocicletas. Com a conquista de vitórias e o título nacional, foi Pedro quem se interessou primeiro em competir com automóveis. Apoiados e financiados pelo pai, um rico empresário – foi o irmão mais novo, Ricardo o primeiro a vencer em um evento internacional - uma corrida em Riverside em 1957 - com apenas 15 anos.

Um ano depois, Ricardo tenta competir nas 24 Horas de Le Mans, mas a idade impede a estreia. O jovem mexicano terá que esperar ainda dois anos. Em 1960, aos 18 anos será o piloto da Ferrari #17 da equipe North American Racing Team (NART) de Luigi Chinetti e ele terminaria a corrida em segundo lugar ao lado do piloto belga Andre Pilette. Com o sucesso nas 24 Horas, Ricardo recebeu o convite para pilotar pela equipe Ferrari no Grande Prêmio da Itália de 1961, em Monza, tornando-se o mais jovem piloto a participar de um Grande Prêmio de Fórmula 1 (19 anos e 208 dias)

Ricardo se classificou em segundo na estreia, a apenas um décimo do polonês Wolfgang von Trips e oito décimos à frente do campeão Phil Hill, ambos em carros idênticos. Apesar de não ter terminado a corrida devido a uma falha na bomba de combustível, após 13 voltas – mostrou talento e a Ferrari assinou com ele um contrato para a temporada completa de 1962.

Em uma carreira meteórica na Fórmula 1, guiando pela Ferrari obteve o segundo lugar no Grande Prêmio de Pau, terminou em sexto lugar no Grande Prêmio da Alemanha de 1962, quarto lugar na Grande Prêmio da Bélgica - em Spa-Francorchamps - onde se tornaria o mais jovem piloto a pontuar na Fórmula 1 em sua época.

Após apenas seis corridas, fechou um acordo para correr com um Lotus da Rob Walker na nova pista Magdalena-Mixhuca e aquele convite acabaria em tragédia. Morreu aos 20 anos de idade, depois de uma falha nos freios da sua Lotus. O motivo da falha até hoje não explicado, e a morte de Ricardo causou luto nacional no México.

O seu amigo pessoal Jo Ramirez, que anos mais tarde trabalharia na equipe da McLaren garante: "Eu posso ser tendencioso, mas acho que ele teria se tornado outro Prost ou Senna", disse Ramirez. "Ele foi muito, muito especial." Ricardo Rodríguez de la Veja foi o piloto mais jovem a morrer na Formula 1.

Pedro, que continuava a competir com considerável sucesso em carros esportivos, muitas vezes ao lado de seu famoso irmão, faria sua estreia na F1 naquele fatídico final de semana no México, mas após a morte de seu irmão ele abandonou por alguns meses as corridas e abriu um negócio de importação de carros em sua terra natal. No entanto, como Ricardo, Pedro parecia destinado ao automobilismo e logo retornou as competições.

Pedro finalmente fez sua estreia nos Grandes Prêmios no final de 1963, competindo nos EUA e México pela Lotus e Ferrari durante três anos, sempre dividindo o volante entre os carros de F1 e os protótipos esportivos. Pedro conheceria a primeira vitória no GP da África do Sul de 1967, depois de classificar em quarto e surpreender com a vitória na primeira corrida da temporada. A vitória lhe garantiu o contrato na equipe Cooper pelo resto da temporada. O piloto mexicano pilotaria por mais quatro temporadas na F1, guiando para a BRM e também para a Ferrari. Muitas vezes, foi fotografado com seu chapéu de Caçador, que demonstrava seu gênero quieto, excêntrico e imensamente popular com seus mecânicos, embora sua filosofia fatalista - na crença de que só Deus poderia lhe dizer quando seu tempo acabou - provocasse a ira do pioneiro da segurança Jackie. Stewart.

A sua maior corrida aconteceu na chuva em Brands Hatch no ano de 1970 - um dos quatro triunfos de sua carreira. Mas o apetite incansável do mexicano pelas corridas acabaria com a sua vida. Ele morreu em uma prova relativamente inexpressiva na Alemanha, em julho de 1971, poucos dias depois de ter marcado o melhor tempo nos testes para o GP em Silverstone. Ele tinha 31 anos.

Fotos: F1/Rainer W. Schlegelmilch / Getty Images

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