O dia que Fórmula 1 perdeu a alma



No início eram os carros, os motores e os pilotos que importavam. Nesta ordem, com alguns acréscimos sensoriais de emoção, barulho e velocidade. Assim, estava completo o espetáculo e aquilo era suficiente para motivar multidões em todo o mundo.

Uma década depois dos primeiros Grandes Prêmios, a Fórmula 1 iniciava os anos 60 com um calendário de 10 etapas. Começava na Argentina, seguindo para Mônaco, Indianápolis, Zandvoort, Spa-Francorchamps , Reims - França, Silverstone, Porto, Monza e Riverside, nos Estados Unidos. Doze equipes, 87 pilotos, entre eles: o campeão Jack Brabham, Bruce McLaren, o vice, Stirling Moss, Phil Hill, Jim Rathmann, todos vencedores na temporada e ainda, Jim Clark, John Surtees, Graham Hill, Dan Gurney, José Froilán González, A. J. Foyt, para citar os mais conhecidos.

Dez anos depois, vem o “glamour” a fama e o prestígio transformado em dinheiro, trazido principalmente por John Hogan da matriz da Phillip Morris a partir de 1973 e que alimentou as ambições de Niki Lauda, ​​Emerson Fittipaldi, James Hunt, Ayrton Senna e Alain Prost, nas equipes BRM, McLaren, sem falar nos bilhões a Ferrari e a Michael Schumacher. Tudo com o dinheiro da Marlboro.


Em dezembro de 2014, a revista MotorSport Magazine entrevistou Sir Hogan e no artigo “O homem do dinheiro com alma” estava escrito: "Uma das coisas que eu descobri é que você tem que ficar perto de jovens", disse aos 71 anos. "Hogie" como é conhecido mundialmente na F1. “Se você só se mistura com pessoas da sua idade, vai estar em uma caixa antes de perceber. Ser desafiado o tempo todo pelos jovens é o que faz você continuar”, dizia o amigo de confiança de Bernie Ecclestone e Ron Dennis, que sempre ouviram com muita atenção tudo aquilo que ele falava.


“Entre 1973 e 2002, Hogie era o verdadeiro "Homem de Marlboro". Ele não usava o chapéu, mas ele era o “caubói” confesso que controlava as malas do mais poderoso portfólio gastador do automobilismo”, escreve o jornalista Damien Smith.


“O ano de 1976 foi a era zero - 'Year Zero' para a F1, em termos de sua popularidade global, mesmo que eu não percebesse isso naquele momento. Porém, havia um responsável. Quando chegamos no GP da Inglaterra naquele ano e os responsáveis pelas equipes de TV começaram a perguntar: 'Espera, algo está acontecendo aqui' e eles começaram a seguir o circo e, quando chegamos ao Japão, o mundo todo queria transmiti-lo. Foi então que Bernie [Ecclestone] disse: 'Sim, você pode ter isso - mas você pega todas as corridas no ano que vem e as transmite na íntegra'. Se você conhece Bernie, sabe o que aconteceu”.


Hoje, passados 42 anos a Fórmula 1 anuncia um acordo para realizar o GP no Vietnam, nas ruas de Hanói. A assinatura deste contrato fortalece a noção da mudança de rumo para a sobrevivência da Fórmula 1. Com o fim dos “grandes” patrocinadores é o Estado e os governos que ocupam o papel que foi exercido por Hogie. Não importa mais carros, os motores e os pilotos, nem mesmo se fazem barulho é interessante. A F1 perdeu definitivamente sua alma, apesar do dinheiro.

O ano de 2020 será “New” para a Fórmula 1 e talvez seja “bad” para seus fãs.

Fotos: (2) Cahier/F1 Hogan-Arrivabene 2007 EUA

(1) F1 Masters Historic - Paulo Torino - Spa 2018

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