HISTÓRIA: Como nasceu o GP da Hungria

 

  

 

por: Paulo Torino

 

Durante quase cinco anos, Bernie Ecclestone pensou nesta possibilidade - organizar um Grande Prêmio no Leste Europeu, atrás da "Cortina de Ferro". A ideia original era uma corrida em Moscou, mas as suas conversas com os líderes soviéticos não são bem sucedidas. Sem desistir, busca apoio num território mais ‘liberal’, entusiasmado com os planos do colaborador Tamas Rohonyi, que comandava o GP Brasil. As negociações avançam por intermédio de Mihaly Terjek, um diplomata servindo São Paulo. Aceito o projeto, o governo húngaro criou um consórcio para negociar diretamente com Ecclestone, tendo como fiador a FISA. Não tardou para as partes assinarem um contrato de cinco anos.

 

 

A FOCA encheria os cofres com os lucros das receitas de televisão e publicidade. A venda de ingressos e o turismo seriam as fontes de receita direta dos organizadores. Era o que estava escrito no papel. Após alguma dúvida, o Estado húngaro opta por construir um novo circuito, permanente, entre os municípios de Mogyored e Kerepes, a vinte quilômetros de Budapeste. Assim nasceu o GP de Hungaroring em 1986.

 

 

 

Antes disso, um único GP havia sido disputado em Budapeste, em 1936, quando a população assistiu a vitória de Tazio Nuvolari #16.

 Cinquenta anos depois, o evento de Ecclestone na República Popular da Hungria tinha outra grandiosidade.

Budapeste foi fundada em 1873 com a união de duas cidades históricas Buda e Óbuda, na margem direita do Danúbio, com Peste, na margem esquerda

 

Quando a Fórmula 1 chegou em 1986 o lugar já havia se transformado em um centro turístico mundial, com excelentes hotéis e muitas atrações, como os fabulosos banhos públicos de Budapeste. Apesar das piscinas públicas serem comuns em muitas cidades da Europa, os banhos na capital são especiais, sendo a única cidade do mundo, repleta de fontes de água curativa. 70 milhões de litros de água termal quente entre os 21 e 78 °C brotam diariamente de suas 118 fontes termais naturais.

 Com aeroporto internacional, a televisão se encarrega de promover os finais de semana, e os dólares viram moeda corrente no paddock e arquibancadas.

 

 

O circuito custou muito dinheiro (350 milhões de forints), mais de 1,25 bilhões de euros, tudo foi feito de forma notável.

 

 O layout, projetado pelo arquiteto Istvan Rapp foi inspirado no novo Nurburgring. Com vinte curvas ao longo de quatro quilômetros, a reta possui apenas 700 metros, uma pista tortuosa e estreita. Subidas e descidas seguem-se em um ritmo lento, com os carros andando como se estivessem em um "tobogã".

 

 O circuito é comparado as especiais de um rally, muitos pilotos reclamam de sua lentidão e falta de lugares para ultrapassar. Mas o lugar que os jornalistas da "velha guarda” apelidaram a pista de "Mickey Mouse" será agora visto de outra forma.

 

Uma pandemia se instalou no mundo e suas consequências produziram a imagem do Red Bull Ring vazio nas duas últimas semanas. Essa realidade começará a atormentar os que acreditaram nos sonhos de Bernie Ecclestone e os valores da F1.

 

 

No próximo dia 16 de julho elas se repetirão e todas as promessas do passado de Ecclestone estarão desfeitas. O despertar na manhã de quinta-feira será como acordar de um pesadelo. Centenas, milhares e bilhões de pessoas em todo o mundo, que amam o automobilismo e a Fórmula 1, não mais assistirão o espetáculo que o ‘circo’, durante 70 anos proporcionou.

 

As águas do rio Danúbio estarão tranquilas, sem o trânsito dos barcos de turismo ou da chegada dos navios com as mercadorias para abastecer a nona cidade mais bonita do mundo. Nas calçadas e nas mesas dos bares não haverá quase ninguém, os hotéis e suas piscinas exuberantes estarão praticamente vazios. Não há alegria na cidade global, não há motivo para festas ou ilusões.

 

Pela primeira vez em 34 anos, a chegada da Fórmula 1 em um autódromo construído para satisfazer os sonhos das pessoas, terá outro significado. Assim serão as próximas etapas - Inglaterra, Espanha, Bélgica e Itália. Os argumentos que sustentaram os sonhos e as certezas de Ecclestone desapareceram.

 

O bom do caminho é haver volta. Para ida sem vinda basta o tempo”.

                                                                                              

                                                                                              Mia Couto

 

Fonte: STATSF1

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