A morte da (falta) de emoção



No último final de semana, esse Toyota encerrou a sua participação vitoriosa na classe LMP1, nas etapas do WEC e também nas 24 Horas de Le Mans. Mas afinal, de quem é que estamos nos despedindo?


Por Paulo Torino


Quando estive pela primeira vez em Le Mans em 2010, tive o privilégio de assistir parte das 24 Horas ao lado dos guard-rails na grande reta Hunaudières, cerca de 200 metros antes da primeira chicane.

Era o início da manhã do domingo, dia 13 junho e nunca esqueci quando vi pela primeira vez a passagem do protótipo Audi TDI 5.5 L Turbo V10 #9 (Diesel) cruzar na minha frente. O carro ‘engolia’ o ar, voava sobre o asfalto e não fazia barulho nenhum. Só se ouvia o deslocamento de ar e nada mais. O Peugeot 908 HDi FAP #7 (Diesel), também não. Fiquei sem saber o que estava acontecendo, já que os carros que assisti na largada do sábado, faziam barulho e muito. É certo que eu estava mais distante da pista, sentado na arquibancada, nos S, logo após o viaduto Dunlop.


Aqui os 56 carros fazem um barulho ensurdecedor, um espetáculo que nenhum assistente de Le Mans esquece na vida.

Mas, lá ao lado da pista, os três Audi e o Peugeot, que liderava a corrida naquele momento, eram ensurdecedores (silenciosos). Depois de algumas voltas, perguntei ao meu amigo Xavier, um luxemburguês acostumado com as corridas em Le Mans desde os anos 70, o que estava acontecendo? Por que os Oreca, o Pescarolo e principalmente o Lola-Aston Martin B09/60 gritavam como ‘gatos’ desesperados e aqueles Audi e o Peugeot andavam como se não tivessem motor. Ele sorriu e me lembrou da faixa que os torcedores holandeses estenderam no portão principal de Le Mans – “Fuck diesel” – Save Pescarolo.


O vencedor de 2010


Antes da largada a máquina silenciosa repousava no box. No domingo, assistimos o início de uma nova era e nem sabíamos. Era o adeus dos motores V8 e V12, um novo tempo, onde iriam reinar os motores politicamente corretos, turbo híbridos, ecológicos e sustentáveis. O princípio do fim do sentimento de emoção que só os motores de combustão aspirados proporcionaram as corridas de automóvel.


Em 2012 voltei as 24 Horas de Le Mans, queria assistir a 80ª edição e a Audi nos apresentou seu novo projeto.

Antes da largada, como num presságio, a equipe alemã deixou um protótipo R18 e-tron quattro #1 em exposição para que todos pudessem admira-lo bem de perto. No stand seu motor nunca foi ligado e ninguém sabia o que estava debaixo daquela carenagem, ou como iria soar aquele TDI 3.7 L Turbo V6 (Hybrid Diesel). Mas, não tardaria e aqueles monstruosos zumbis logo iriam andar e jamais seriam esquecidos.



Naquele ano, a Toyota levava os TS030 Hybrid M 3.4 L V8 (Hybrid) para Le Mans, mas eles passaram desapercebidos e não terminaram aquela edição histórica. O nº#7 parou na volta 134 e o nº8 na volta 82, os dois também eram mortos de emoção.




Depois disso muita coisa aconteceu e hoje (17) o Flavio Gomes lembrou a importância do projeto Toyota: – “ Disputaram 64 corridas, venceram 29, fizeram 26 poles, 24 melhores voltas e ganharam os títulos de pilotos e construtores três vezes em oito temporadas.







Nesse período, informa a Toyota, o consumo de combustível foi reduzido em 35% e os tempos de volta em Le Mans caíram cerca de 10s. Desde a estreia, em 2016, o TS050 Hybrid teve 11 pilotos diferentes em 34 corridas, venceu 19 provas do WEC (três delas em Le Mans), fez 16 poles e 15 melhores voltas”, escreveu o jornalista em seu Blog.


Pois, bem, mesmo com tudo isso, não tenho dúvidas que os torcedores holandeses estavam certos em seus protestos e que o menino que fotografei em 2012, não sentirá saudades destes motores. Afinal, seus pais um dia protegeram seus ouvidos com razão, tudo para que ele sentisse muita emoção.

Fotos: Paulo Torino


Toyota-Hypercar: Que emoções irão nos proporcionar?



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