Conosci i campioni: Emerson Fittipaldi



Com Emerson Fittipaldi iniciamos a era dos campeões da F1 contemporâneos – verdadeiros ases do volante que nasceram para brilhar na maior categoria mundial do automobilismo.


A história do campeão de 1972 e 74 não pode ser resumida em uma folha de papel. São necessários muitos livros para contar sua trajetória no automobilismo e ainda assim, haverá coisas há revelar sobre o brasileiro que colocou no bolso as chaves do sucesso na Europa e nos Estados Unidos.

Essa breve biografia, como as demais que apresentamos aqui no CONOSCI I CAMPIONI, é a versão e a visão dos registros do site STATSF1, escrito por jornalistas ingleses. Assim, nessa história manteremos o texto original, ‘quase’ sem edições, para que o leitor perceba como os britânicos enxergaram o sucesso de Emerson, uma visão particular dos estrangeiros sobre o nosso maior ídolo. E eles nunca se cansam de escrever sobre ele.




“Emerson Fittipaldi, conhecido como Emmo, foi o primeiro grande piloto brasileiro da história.

Ele entra no mundo automotivo pela porta dos fundos, como mecânico. Começa sua carreira nas motocicletas de 50cc, depois seguiu seu irmão mais velho Wilson no kart e ambos progrediram rapidamente em direção ao automóvel, dirigindo primeiro um Renault Gordini. Em 1967, Emerson venceu o campeonato da Fórmula Vee Brasil e em 68 ganha a última 12 Horas de Porto Alegre, antes de partir para a Europa com Fusca #7.



Depois de ganhar tudo no Brasil, o jovem brasileiro voa para a Inglaterra em 1969. Ele começou na Fórmula Ford e depois de um aprendizado difícil, juntou-se à equipe de Denny Rowland, o que lhe permitiu alcançar algum sucesso. Ele passou o mesmo ano na Fórmula 3, na equipe de Jim Russel, guiando um Lotus. O brasileiro rapidamente mostrou muito brilho e ganhou o Troféu Lombank de 1969. Isso chamou a atenção de Colin Chapman, o chefe da equipe Lotus, que lhe ofereceu o volante de um F2 para 1970. Emerson não ganha um Grande Prêmio, mas ele seduz o pequeno mundo do automobilismo com sua condução pensativa e seu talento para o foco.


É assim que o paulista passa a partir do final do ano para a primeira classe, a Fórmula 1. Na verdade, Chapman está procurando um terceiro piloto para apoiar Jochen Rindt, que está a caminho de ganhar o título de campeão mundial, e naturalmente escolhe seu jovem protegido. Ele foi imediatamente lançado no grande mundo da F-1, com apenas 23 anos de idade. Em sua primeira corrida, o Grande Prêmio da Inglaterra em Brands Hatch, ele se classificou em 21, terminando em um belo oitavo lugar.


Duas semanas depois, na Alemanha, ele terminou em um brilhante quarto lugar, enquanto seu companheiro Rindt venceu sua última corrida na Fórmula 1. De fato, depois de uma corrida ruim na Áustria, vem o terrível Grande Prêmio da Itália em Monza. Na véspera da corrida, Jochen Rindt perdeu o controle de seu monoposto no Parabólica e bateu no guard-rail. O austríaco morreu instantaneamente. A equipe Lotus declara que não participará da corrida. Alguns dias depois, o segundo piloto da equipe, John Miles, traumatizado pela morte de Rindt, anunciou sua aposentadoria imediata.


Hill, Chapman, Rindt e John Miles

Emerson, que tem apenas três corridas na equipe, é promovido de terceiro piloto para primeiro da equipe. Este status parece muito para os ombros frágeis de um iniciante de 24 anos. E ainda assim, na corrida seguinte, o Grande Prêmio dos EUA em Watkins Glen, Emerson foi o sucessor natural do falecido Rindt. Largando em terceiro lugar, ele certamente começou mal, mas subiu soberbamente e assumiu a liderança sobre Rodriguez quando faltavam nove voltas para o final. Emerson venceu sua primeira corrida em seu quarto GP, e deu a Rindt o título póstumo de campeão mundial de 1970.



A temporada de 1971 promete ser radiante para o brasileiro. Infelizmente, não bem assim. Primeiro, durante a pré-temporada, ele e sua esposa se envolveram em um acidente de trânsito. Ferido no rosto por cacos de vidro, o piloto paulista leva muito tempo para se recuperar. Do ponto de vista técnico, Chapman tentou naquele ano projetar uma turbina nos seus Fórmula 1. O projeto, consome tempo e energia, e acaba sendo um verdadeiro desastre e será abandonado no final do ano. Emerson tem que competir no campeonato com um 72D imperfeito, e não pode fazer nada melhor do que dois terceiros lugares, na França e na Grã-Bretanha. Sua regularidade ainda lhe dá o sexto lugar na classificação geral, um mal menor para esta primeira temporada completa.


Em 1972, a Lotus, agora oficialmente conhecida como JPS, melhorou o 72D para permitir que Emerson conquistasse vitórias, embora a concorrência dos Tyrrell, campeões em 1971, fosse esperada. Mas os monopostos de Jackie Stewart e François Cevert perderam muito do seu potencial durante o inverno, e Emerson vai tirar vantagem disso. Antes do início da temporada oficial, ele venceu a Corrida de Campeões de Brands Hatch. Depois de não pontuar na chuva argentina, o brasileiro terminou em segundo lugar em Kyalami, quando abriu a temporada europeia com uma vitória indiscutível em Jarama, em uma pista molhada. Em Mônaco, Emerson conquistou sua primeira pole position, mas na corrida, na chuva, não conseguiu fazer nada contra Jean-Pierre Beltoise e terminou em terceiro. Na Bélgica, ele assinou o fim de semana perfeito, pole e vitória fácil diante de Cevert. Ele agora lidera o campeonato, nove pontos à frente do veterano Denny Hulme.


No Grande Prêmio da França, no circuito de Clermont-Ferrand que ele não conhecia, garantiu um segundo lugar cauteloso. Em Silverstone, Emmo conquistará outra vitória, facilitada pelo abandono do líder Ickx. Depois de abandonar na Alemanha, ele alcançou outro sucesso na Áustria, abrindo uma vantagem de 25 pontos no campeonato à frente de Stewart e Hulme. A coroação está próxima. Ele chegou ao Grande Prêmio da Itália, uma corrida que as Ferraris de Ickx e Regazzoni deveriam ter dominado, mas eles foram forçados a abandonar. Como resultado, Emerson, poupando seu equipamento, ganhou o título mundial de 1972 com apenas 25 anos de idade, tornando-se o mais jovem campeão mundial da história, até a coroação de Fernando Alonso aos 24 anos em 2005, que depois superado por Sebastian Vettel em 2010 quando ganhou seu primeiro título com 23 anos, 4 meses e 11 dias.


As duas últimas corridas na América, dominadas pelos revigorados Tyrrell, são muito ruins para o brasileiro que não marca nenhum ponto. Pouco importa, ele será o campeão.












Para 1973, a Lotus, que melhorou seus 72, agora na configuração "E", obviamente espera manter o título de Fittipaldi. Mas o brasileiro terá que conviver com um novo companheiro de equipe diferente de Wissel e Walker. Este é o muito rápido, é sueco e se chama Ronnie Peterson. E a relação entre os dois colegas vai ser tempestuosa. No entanto, o início da temporada se volta em favor de Emmo. Vencedor na Argentina, ele alcançou o sonho de vencer a "sua" corrida, o Grande Prêmio do Brasil em Interlagos.




Terceiro na África do Sul, ele venceu o Grande Prêmio da Espanha, tendo, no entanto, beneficiado pelo abandono do líder, que era ninguém menos que seu companheiro de equipe Peterson. Naquele momento, ele estava no topo do campeonato, 12 pontos à frente de seu rival Stewart. Mas nas duas corridas seguintes, Zolder e Mônaco, o escocês venceu e Emmo não poderia fazer melhor do que o terceiro e segundo, que na altura, era um mal menor.


Na Suécia, seus freios o traem enquanto ele é o segundo. Na França, ele desiste novamente com acidente. Na Grã-Bretanha, é uma junção de motor que se solta, e em Zandvoort ele desiste após a quebra do cano de descarga! Ele salvou um pequeno ponto na Alemanha antes de desistir novamente na Áustria. Nem é preciso dizer que, depois desta sequência tão negra, Stewart voou para o campeonato! Mas o mais sério está em outro lugar.


De fato, durante esse período, Peterson aproveitou os problemas de seu companheiro de equipe para preencher os pontos. Enfurecido, Emerson então acusou Chapman de favorecer Peterson, quando ele estava melhor colocado do que o sueco no campeonato. A atmosfera dentro de Lotus é muito ruim e o abscesso explodiu em Monza, onde Peterson venceu na frente de um Fittipaldi que precisava desesperadamente chegar em primeiro para alcançar Stewart. Mas de nada adiantou, Ronnie não tem cura, e o escocês conquista a coroa sem fazer força. Quanto a Chapman, ele só está mirando o título de construtor, que consegue, graças a Peterson, vencedor em Watkins Glen. Emerson, muito decepcionado, então tomou a decisão de deixar Lotus.


Em 1973 ele se juntou à equipe McLaren-Ford Cosworth e irá fazer uma ótima temporada no excelente M23 projetado por Gordon Coppuck. Emerson tem como parceiro o antigo campeão mundial de 1967 Denny Hulme. A Lotus vive uma temporada de grandes escândalos, Emmo fez a escolha certa.


A temporada de 1974 do brasileiro começou com um péssimo décimo lugar na Argentina, que foi imediatamente ultrapassado por uma excelente vitória em casa no autódromo de Interlagos. Poucos dias depois, venceu a corrida extra-campeonato no Autódromo de Brasília. Mas tudo voltará a vai ficar complicado. Apenas um sétimo lugar em Kyalami, onde Emerson teve que enfrentar a dura concorrência das Ferraris de Clay Regazzoni e Niki Lauda, cujos monopostos eram superiores aos pilotos de Teddy Meyer, com a chegada à Europa. Assim, ele não pode fazer nada melhor é terceiro em Jarama, enquanto a Scuderia assina a dobradinha. No entanto, ele venceu o Grande Prêmio da Bélgica, pouco à frente de Lauda, o que lhe permitiu assumir a liderança do campeonato.

Mas então ele só pode gerenciar, com as Ferraris e Tyrrell ocupando as primeiras posições. Ele terminou em quinto em Mônaco, quarto em Anderstorp, terceiro em Zandvoort, o que lhe permitiu manter a liderança geral, graças à boa confiabilidade do M23. Mas um motor Cosworth quebrado na França, Emerson se vê pressionado pelos pilotos da Ferrari. A partir de agora, o campeonato será disputado entre Regazzoni, Lauda, Fittipaldi e o jovem piloto da Tyrrell Jody Scheckter. Bom segundo para Brands Hatch, Emmo tem que desistir do "Anel" alemão. Ele quebrou um motor na Áustria, mas felizmente seus três rivais também não marcaram naquele dia.

Faltando três corridas, o piloto da McLaren está apenas em quarto lugar, nove pontos atrás de Regazzoni. No entanto, a tendência é invertida. Emerson terminou em segundo em Monza, atrás de seu velho "amigo" Peterson, enquanto Regazzoni desistiu. Melhor ainda, no Canadá, ele finalmente conquistou sua terceira vitória do ano à frente de Rega. Os dois pilotos estão empatados na rodada final em Watkins-Glen. As Ferraris, vítimas de problemas de suspensão, não irão ser neste fim de semana uma séria ameaça para ele. O brasileiro foi sábio ao finalizar em quarto lugar, enquanto seu rival suíço terminou em 11º lugar. Emerson Fittipaldi é bicampeão mundial.



Emerson, é claro, assinou novamente com a McLaren em 1975, esperando ganhar uma terceira coroa. Hulme se aposentou, Jochen Mass tornou-se seu companheiro de equipe. O M23 está entrando em sua terceira temporada de competição, e Gordon Coppuck está tratando de modernizar o carro, modificando a frente para que ele não sofra com a aderência. Sua temporada começou bem, com uma vitória na Argentina à frente de James Hunt. Em seguida, terminou em segundo no Brasil, atrás de seu compatriota Carlos Pace. Infelizmente para Emmo, este é (já) o começo do fim. A versão M23 de 1975 decepciona enormemente, a culpa está na força aerodinâmica. A equipe McLaren passou o ano tentando resolver esse problema, através de múltiplas soluções, como a instalação de saias no Grande Prêmio da Alemanha, tudo sem sucesso.


Emerson, usa todo o seu talento e tenta trazer de volta alguns resultados. Mas a sua coroa vai para Niki Lauda, cuja Ferrari dominou o campeonato escandalosamente. Ele ainda terminou em segundo em Mônaco, embora sua motivação tenha começado a diminuir. Mas seu talento está intacto, então em Silverstone ele ganha de forma magnífica, talvez a mais bela. Como um pouco de chuva caiu no circuito, ele fez a aposta para permanecer na pista com pneus lisos, enquanto os outros pilotos pararam para colocar "chuva". O aguaceiro pára, e Emerson, que não parou, sumiu na liderança! A chuva retorna no final da corrida, forçando Emerson a parar desta vez, mas o Grande Prêmio é interrompido pelos oficiais, e ele pode manter a primeira colocação. Ainda não sabemos, mas nunca mais veremos Emerson no degrau mais alto do pódio, pelo menos na Fórmula 1...





Ele ainda conseguiu terminar em segundo lugar, graças a dois segundos lugares no final do ano, mas o coração não está mais lá. Ele decidiu deixar a equipe McLaren. O irmão de Emerson, Wilson, também muito bom piloto no Brasil, não desfrutou da mesma sorte no Velho Continente. Sua carreira na F-1 nunca decolou, mas no final de 1974 decidiu lançar o projeto de uma F-1 100% brasileira, aproveitando a glória de seu irmão mais novo. Wilson se beneficiou da ajuda da empresa nacional de açúcar, Copersucar, que deu seu nome a equipe. Jo Ramirez foi nomeado diretor técnico, Ricardo Divila engenheiro, enquanto Wilson e Arturo Merzario formaram a primeira dupla da equipe em 1975. Infelizmente, essa primeira temporada é muito difícil do ponto de vista técnico, e a seleção brasileira não traz um ponto de volta. No final do ano, Wilson decidiu dedicar-se exclusivamente à gestão da equipe, e convenceu seu irmão a substituí-lo no volante.


Emerson trouxe sua experiência para Copersucar, bem como engenheiros britânicos, e seu amigo, o designer Maurice Philippe, um desertor da Lotus. A temporada de 1976 foi um novo começo para ele. E, de fato, o bicampeão mundial tem que se acostumar com os fundos do grid. O monoposto provou ser muito ruim, e apesar de um quinto lugar no Grande Prêmio do Brasil, ele segue no final da lista da classificação. Ramirez e Divila pagaram o preço e foram substituídos por Dave Baldwin. Emerson ainda conseguiu dois sextos lugares nas pistas sinuosas de Long Beach e Mônaco, bem como em Brands Hatch. Na Bélgica, ele foi confortado pelos colegas quando não se classificou.


Após este ano ruim, a equipe, novamente reforçada pela mecânica inglesa, apresentou um novo monoposto em 1977, o F5, que ficaria realmente pronto apenas na fase final da temporada. Todas as demais corridas foram feitas com o modelo de 1976. No primeiro Grande Prêmio, na Argentina, Emerson terminou num ótimo quarto lugar. Repetiu a posição diante de seus fãs no Brasil e foi quinto em Long Beach, com o Copersucar no seu melhor começo de temporada.


O novo F5 chega à Bélgica, e as preocupações começam. O carro está com falta de potência, e Emerson nunca será capaz de tirar nada dele. Embora o motor Cosworth seja provavelmente o responsável pelos maus resultados, Baldwin é expulso e substituído por Shahab Ahmed. Os resultados ruins continuaram e Emerson não consegue classificar em dois GPs. A única luz chega a Zandvoort, onde ele pode terminar em quarto graças a uma máquina subitamente revigorada. Mas é só um fogo de palha. A equipe Copersucar nem participara da última rodada no Japão, para se concentrar em 1978.



Durante a pré-temporada, Emerson, que foi forçado a comandar a equipe e pilotar, decidiu se juntar a Peter McIntosh e Ralph Bellamy da Lotus. O novo carro parece promissor. Projetado pelo estúdio Fly em Modena, é equipado com laterais de saias, como a Lotus, referências da época. Mas do Brasil chegam más notícias, antes do início da temporada. A Copersucar abandona o projeto e deixa os irmãos Fittipaldi sem patrocinador, o time se tornou apenas Fittipaldi Automotive. A temporada começa na Argentina, onde Emmo lidera uma corrida sem brilho. Mas no Brasil, ele está enlouquecido. Sétimo no grid, o filho do país faz uma corrida excelente e seu esforço é compensado com um segundo lugar, que é o primeiro pódio de sua equipe. Desta vez, Emerson acha que a roda finalmente virou a seu favor...

Infelizmente, há todos os motivos para acreditar que este bom desempenho se deve apenas aos bons pneus que a Goodyear generosamente doou a equipe para sua corrida nacional. Emerson rapidamente reencontra a parte de trás do grid, mesmo que o carro tenha algum potencial. Assim, na França, rebaixado para o vigésimo primeiro lugar após algumas voltas, Emmo sobe de volta para a oitava posição. A segunda parte da temporada ainda é melhor, graças a um carro reformulado. Emerson terminou em quarto na Alemanha e na Áustria, e em quinto nos EUA, apesar de uma embreagem danificada. No final, a equipe ainda teve sua melhor temporada, terminando em sétimo lugar no campeonato de construtores, com 17 pontos. Mas a liderança da equipe está começando a pesar muito sobre Emerson.


A temporada de 1979 é um pesadelo. Forçado a começar o ano com o carro de 1978, Emerson ainda traz um ponto de volta da Argentina. Mas o novo monoposto é um verdadeiro desastre, lento e não confiável. Emerson marcou um único ponto com esse carro. Ele passou o ano e com os outros monopostos ‘anos luz’ à frente, terminou em 21º lugar no campeonato, com um pequeno ponto, o de Buenos Aires.


No final do ano, a equipe Fittipaldi, totalmente sem dinheiro, parece estar prestes a desaparecer. Mas a sorte sorri para Emerson. A equipe canadense Wolf, depois de uma temporada ruim de 1979, propõe uma fusão. Walter Wolf e Emerson Fittipaldi rapidamente se unem e concretizam o negócio da absorção de Wolf na Fittipaldi Automotive. Peter Warr torna-se diretor, e Harvey Postlethwaite diretor técnico. Além disso, contratam Keke Rosberg que correrá ao lado de Emerson.



A temporada de 1980 começou bem para a equipe, que finalmente alinhou dois carros. Rosberg ficou em terceiro lugar na Argentina depois de uma corrida difícil. No Brasil, o "Finlandês Voador" chega na frente de Emmo. Em Long Beach, foi a vez de Emerson liderar uma corrida muito boa que ele terminou em terceiro, enquanto seu jovem compatriota Piquet conseguiu sua primeira vitória. Em Mônaco, depois de largar em 18º lugar, o brasileiro avança até a sexta colocação. Infelizmente, depois deste bom começo de ano, os resultados não retornam. Um carro novo chega no meio do ano, mas sua inconfiabilidade impede Emerson de brilhar. Apenas Rosberg traz dois pontos de Monza.


Frequentemente dominado na qualificação por seu companheiro de equipe, Emmo tomou uma decisão radical no final do ano: o fim de sua carreira na F-1. Aos 34 anos, após dez anos na primeira corrida, o paulista, que sabia de tudo, que conheceu a fama e fracasso, decide pendurar as luvas para se dedicar à gestão da equipe.




Foi como chefe de equipe que Emerson retornou aos paddocks em 1981. No entanto, a Fittipaldi Automotive está em uma posição muito ruim: sem um patrocinador, com um carro muito medíocre, 1981 promete ser ainda mais catastrófico do que 1979. Esse será o caso. Rosberg e Chico Serra passam o ano na parte de trás do grid, e em inúmeras ocasiões, não obtém classificação. Na Áustria, a equipe nem sequer faz a viagem, por falta de motores disponíveis. Harvey Postlethwaite e Peter Warr decidiram deixar a equipe. No final, o time Fittipaldi não marcou um ponto.



No entanto, o brasileiro e seu irmão retornam ao campeonato em 1982, com apenas um carro, para Chico Serra. Ricardo Divila, de volta à equipe, mexe no F8D e classifica o carro. Serra fez seu trabalho, e até conseguiu um ponto na Bélgica, apesar de um aerofólio dianteiro danificado e o câmbio defeituoso. Mas isso será tudo pelos bons resultados.


Depois desta temporada horrível, Emerson e Wilson sabiamente decidem deixar a aventura ir. Assim desaparece da F1 o nome de Fittipaldi.



Mas Emerson logo fica entediado. Assim, decidiu voltar ao Brasil para competir no campeonato de Super kart de 1983. Lá ele encontra Theresa, sua futura companheira, e obviamente ganha o título. Revigorado, o bicampeão mundial, então, voltou como piloto de Fórmula 1 no ano seguinte. Ele espera que as grandes equipes lhe ofereçam outra vez um pote de ouro...


Sem oportunidades, ele está muito desapontado. Apenas a pequena equipe Spirit-Hart ofereceu uma sessão de treino particular no Rio em fevereiro de 1984. Pior, é o próprio Emerson que tem que pagar pelo teste. Os tempos do paulista são medianos. É verdade que o motor Hart não ajuda Emerson, e no mesmo dia, um de seus jovens compatriotas fez suas primeiras voltas na F-1. Ele vira quatro segundos mais rápido que seu irmão mais velho. O nome dele é Ayrton Senna...


Emerson Fittipaldi deixa o circuito do Rio diante da indiferença geral. A F-1 definitivamente virou as costas para ele.



Emerson cruzou o mar e desembarcou nos EUA em 1984, e no prestigiado campeonato da IndyCar foi muito bem recebido. Assim, mudou-se para Miami com toda a família e passará aquela primeira temporada se acostumando com o estilo das corridas americanas. Ele terminou o campeonato em 15º lugar e ainda correu as 500 Milhas de Indianápolis pela primeira vez. Qualificado em 23°, no entanto, não terminou.





Em 1985, ele se juntou à equipe Patrick Racing, onde subiu três vezes ao pódio antes de conquistar sua primeira vitória no Oval de Michigan, à frente de Al Unser. O restante da temporada não é bom, e ele não voltará ao pódio até o final, classificando em sexto na geral. Na segunda participação das 500 Milhas, ele se classificou em quinto lugar, mas terminou apenas em 13º.



O ano de 1986 começa novamente na Patrick Racing, e Emerson melhora ainda mais seus resultados na Indy, terminando o campeonato em sétimo.


Em 1987, após uma Indy 500 para esquecer (décimo sexto), ele venceu duas corridas consecutivas: em Cleveland e Toronto. Infelizmente, ele conseguiu apenas um pódio, o que o relegou ao décimo lugar na classificação final.


Foi só em 1988 que a carreira americana de Emerson realmente decolou. Na Indy, Emerson se classificou apenas em oitavo, mas finalmente deixou sua marca nesta corrida terminando em segundo, três segundos atrás do lendário Rick Mears. As duas vitórias em Mid-Ohio e Elkhart Lake salvaram sua temporada, terminando em sétimo.


No entanto, 1989 será "dele". Depois de um quinto lugar em Phoenix e uma terceira posição em Long Beach, o brasileiro chega a Indianápolis, determinado a finalmente vencer o lendário evento. Em terceiro lugar, ele se vê lutando pela vitória a algumas voltas do fim com Al Unser Jr. Após uma batalha amarga, os dois carros se tocam, o piloto dos Estados Unidos fica pregado na parede, deixando seu oponente fugir para a vitória. Aos 42 anos, Emerson Fittipaldi é definitivamente uma lenda do automobilismo.





Mas ainda não acabou. O paulista venceu três seguidas em Detroit, Portland e Cleveland, colocando-o no topo do campeonato. Segundo em Meadowlands e Toronto, até a vitória em Nazaré. Isso lhe garantiu seu primeiro título na IndyCar, cinco anos após sua chegada aos EUA.


Para 1990, Emerson, que ainda não quer desligar, se junta ao prestigiado time Penske. Infelizmente, ele não pode manter seus títulos. Ele conquistou sua primeira pole em Indianápolis, mas terminou apenas em terceiro. No campeonato, viu os louros sendo entregues a dupla Unser Jr-Andretti. Ele venceu apenas uma vez, em Nazaré, e terminou em quinto no geral.


Em 1991, Emmo venceu apenas mais uma vez, em Detroit, e novamente terminou apenas em quinto lugar na classificação. Não brilhou também nas 500 Milhas, finalizando em 11º lugar.


Roger Penske aposta outra vez em Emerson em 1992. O brasileiro venceu a primeira rodada da temporada em Surfers Paradise, mas depois não teve a mesma sorte. Um final de temporada soma três vitórias (Cleveland, Elkhart Lake e Mid-Ohio), e termina o campeonato em quarto lugar. Quanto às 500 De Indianápolis, ele acaba na parede...



Outro contrato renovado e Emerson reencontra os seus dias de glória vencendo as 500 Indianápolis pela segunda vez. Largando em nono, ele trouxe sua Penske-Chevrolet à vitória à frente de Arie Luyendyke e Nigel Mansell, que ele superou com quinze voltas para o final. Aos 47 anos, mais de vinte anos após sua primeira coroa na F-1, Emmo ainda está no pódio. Fato incomum: ele cria um pequeno escândalo bebendo após a corrida uma garrafa de laranja, em vez de leite tradicional.



Sua 93ª temporada é excelente. Vencedor em Portland, segundo atrás de Tracy em Cleveland e Toronto, o brasileiro tem todos os motivos para acreditar na coroação no meio da temporada. Mas Nigel Mansell, seu rival na Newman-Haas, teve um final de temporada melhor, e apesar do sucesso em Mid-Ohio, ele teve que se contentar em ser vice-campeão.


Em 1994, os Penskes literalmente esmagaram a competição e os três pilotos da equipe, Al Unser Jr., Paul Tracy e, claro, Emerson, dividiram os louros. Emerson venceu a segunda corrida do ano em Phoenix, e chegou como o favorito em Indianápolis. Largando em terceiro, ele literalmente dominou a corrida e parecia estar caminhando para seu terceiro sucesso no Oval, quando bateu a dezesseis voltas do fim. Foi seu companheiro de equipe Al Unser Junior quem ganhou. Emerson não vencerá até o final da temporada e terminará em segundo lugar, mas longe de Unser.



Em 1995, Emerson retornou à Penske, e viu seu sobrinho, Christian Fittipaldi, filho de Wilson, chegar na categoria, depois da passagem na Fórmula 1. A temporada do Fittipaldi sênior é difícil, a Penske não estava competitiva. Apenas uma vitória, em Nazaré e um decepcionante 11º lugar no geral, é o recorde magro deste ano. Quanto às 500 Milhas, Emerson nem sequer participou. Não obteve classificação.


E Emmo saiu novamente para uma nova temporada em 1996, embora ele agora tenha 50 anos! Depois de um começo ruim, o piloto paulista vai encontrar seu destino no terrível Super Oval de Michigan. Na corrida, seu monoposto entra em contato com o de Greg Moore. O Penske é jogado contra a parede com extrema violência. Lesionado no pescoço, o brasileiro é obrigado encerrar sua temporada e praticar uma reabilitação muito longa. Dada a idade, a sabedoria seria desistir do automobilismo para sempre. Mas o demônio da competição é o mais forte, e ele ainda decide se comprometer com o campeonato de 1997.


No início deste ano, Emerson decidiu ir inspecionar suas plantações de laranja no Brasil, pilotando um pequeno avião ultraleve, com seu filho de seis anos. O aparelho quebra e cai. A criança escapou ilesa, mas Emerson, após o choque e seu acidente anterior, ficou paralisado. Depois de uma noite de angústia, os socorristas os encontram. Emerson se recupera: mas desta vez, as corridas acabaram. Depois de trinta anos de uma carreira gloriosa, Emmo logicamente decide pendurar as luvas e o capacete. Anos mais tarde diria: "Em Michigan, Deus me deu conselhos. Eu não o segui. Então desta vez ele me deu uma ordem”.

O brasileiro voltará aos paddocks em 2002, como coproprietário, de uma equipe, desta vez na ChampCar, ex-IndyCar. Assim, é fundada para a temporada de 2003, a equipe Fittipaldi-Dingman Racing, tendo como seu piloto o português Tiago Monteiro, que dirige um Reynard-Ford Cosworth. Mas a pequena estrutura nunca brilhará. No final do ano, Monteiro decide voltar para a Europa e, por falta de financiamento, Emerson encerra a aventura. Sua segunda experiência como gerente de equipe durou apenas um ano.


Três anos depois, em 2005 foi chefe da equipe Brasileira de GP A1, que foi uma espécie de "Jogos Olímpicos" do automobilismo. O Brasil obteve algum sucesso em 2005-2006, graças a Nelson Piquet Junior, filho do tricampeão mundial de Fórmula 1. Ele permaneceu por lá até 2009, quando o GP A1 desapareceu.

Ao mesmo tempo, Emmo assumiu o volante episodicamente em 2005 e 2006, para competir em algumas rodadas do Masters Series Grand Prix, o campeonato de monopostos que reúne as antigas glórias da F-1. Na corrida dos históricos de abertura da temporada em Kyalami em novembro de 2005, ele terminou em segundo lugar, atrás de Nigel Mansell. No entanto, essa competição desaparece após um ano. Em 2008, aos 62 anos, Emerson juntou-se ao irmão Wilson no campeonato brasileiro GT3, pilotando um Porsche, por diversão.


Ele também é visto caminhando regularmente pelos paddocks da Fórmula 1. Em junho de 2010, ele foi co-diretor de corrida no Grande Prêmio do Canadá, sua última função oficial na categoria.


Hoje, o 13° campeão Mundial da F1 (72) e bi (74) assiste com os netos e o filho mais novo a continuidade da clã Fittipaldi.





Fonte: STATSF1

Pesquisa: Paulo Torino

PIT STOP  EDIÇÃO DIGITAL
maio/2021
PitStop#32.png
REVISTAS -  Capas
2017-2021
Logo_PitStop_ ok.jpg

Jornal PIT STOP produzido no Rio Grande do Sul onde circulou mensalmente durante 24 anos, sempre entregue gratuitamente nos autódromos gaúchos entre 1993 e 2017. 

Com o fim da edição passamos a produzir a partir de 2017 a Revista NEWS / Jornal PIT STOP digital, publicada aqui no site mensalmente.

O www.corridaonline.com.br existe desde 2000 e foi pioneiro nas transmissões AO VIVO de imagens e áudio no Brasil em corridas de automobilismo.

 

Redação e edição: Paulo Torino 

paulo_torino@yahoo.com.br

Mercedes 300SEL AMG #35_Red Sow_SPA 1971

Conheça o artista 

Roberto Muccillo