Uma conversa memorável

DA REVISTA MOTORSPORT


Sempre que o site da revista MOTORSPORT retira de seus arquivos e publica uma de suas memoráveis entrevistas da série Dinner with... não deixo de ler. Essa semana o almoço é com RUBENS BARRICHELLO, na verdade é um jantar que aconteceu em outubro de 2013 no Hotel do circuito de Nürburgring.



As entrevistas do jornalista Simon Taylor, escritor, historiador e colaborador da mais antiga e prestigiada revista britânica de automobilismo, são espetaculares. Além das histórias, as conversas revelam o caráter e a personalidade dos entrevistados e ao chegar ao final da leitura, ainda ficamos um bom tempo refletindo sobre o acabamos de ler.


Nessa, Rubinho revela algumas histórias pouco conhecidas do grande público, e alguns momentos marcantes de sua gloriosa carreira como piloto de corrida. Entre muitas coisas que falou nas oito páginas da entrevista, duas são realmente especiais e mostram a alma do piloto brasileiro que chegou na F1 aos 20 anos e fez a sua última largada aos 39. Em 19 temporadas ele um recordista de GPs 322. Acumulou 658 pontos, 14 poles, 17 voltas mais rápidas, 11 vitórias e 68 pódios.


As coisas ruins podem te ensinar a ser melhor, e eu realmente tinha que estar no limite naquele carro para chegar a qualquer lugar”, relembrando o seu início de carreira na F-Ford. “Então, quando eu tinha 17 anos, meu pai fez um acordo para conseguir apoio para mim de uma empresa brasileira de alimentos, a Arisco. Assim eu pude vir para a Europa, e eu pilotei para a equipe italiana Draco na Fórmula Opel em 1990. Com o mesmo equipamento que todo mundo e com uma equipe muito boa atrás de mim, pude mostrar meu valor, e ganhei o título da Euroseries.


"Para começar, eu morava sozinho perto de Oxford, em Cumnor Hill. Naquele inverno estava nevando na Inglaterra, mas eu não tinha dinheiro para voar de volta para o Brasil. Também achei importante para mim ficar sozinho para aprender inglês mais rapidamente, então me matriculei em uma escola de idiomas. Por um tempo eu fiquei correndo nos fins de semana e indo para a escola durante a semana...


“ No final eu era o terceiro no Campeonato de Fórmula 3000, mas já durante essa temporada as equipes de Fórmula 1 estavam começando a falar comigo, especialmente Ken Tyrrell e Eddie Jordan. Eu ainda tinha o apoio do Arisco, o que ajudou, claro, mas não era muito dinheiro. O acordo que eu tinha com o dono da Arisco era que ele pagaria por mim até chegar na F1 e então, uma vez que eu estivesse ganhando, ele se tornaria meu parceiro, e eu pagaria a ele 25% de tudo o que eu ganhava. Mais tarde, a empresa foi vendida, mas eu continuei a pagar a esse cara um quarto de tudo que eu ganhei, e ainda faço isso até hoje. Esse era o acordo, e eu me sinto muito feliz com isso. Foram necessários 2 milhões de dólares para me levar ao ponto em que eu chegava na Fórmula 1, e sem ele eu não poderia ter feito isso. Se eu tenho 10 dólares hoje, é porque ele colocou dois dólares há 20 anos”, revela Barrichello.


Mais adiante na conversa ele diz: ... "Eu sempre tentei pegar os negativos e transformá-los em positivos. A maioria das pessoas na F1 - não apenas os pilotos, as pessoas das equipes também - eles não sorriem, porque esquecem a sorte que têm de estar lá. Eles estão destinados a se divertir. Além disso, no final do dia eles estão sendo pagos por isso! Quando um piloto de corrida está indo mal, ele deve lembrar que ele faz o que faz porque ele gosta. Se ele não estivesse correndo de carro, talvez estivesse trabalhando em um banco, ou em um supermercado.


"Uma vez, quando eu estava no pódio, e me senti um pouco chateado por terminar em segundo lugar, meu filho Eduardo - ele tinha cerca de seis anos de idade - estava assistindo na TV em casa no Brasil. Mais tarde, ele me disse: "Por que você não estava sorrindo?" Eu disse: "Bem, papai poderia ter vencido a corrida." E ele disse: 'Você está no pódio, papai. Pense quantas pessoas no mundo querem estar lá em cima. Claro que ele estava certo. Depois disso, você nunca me viu ir ao pódio sem um sorriso”.


LEIA AQUI A ENTREVISTA COMPLETA







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