História
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QUANDO A CRISE DO PETRÓLEO PAROU O AUTOMOBILISMO
É preciso voltar 50 anos na história para encontrar um momento semelhante ao que vivemos na atualidade e, assim, compreender o que pode acontecer quando falta combustível nas bombas de abastecimento.
por: Paulo Torino
Como na atualidade, os conflitos armados no Médio Oriente (Guerra do Yom Kippur, 1973) e a Revolução Iraniana (1975), levaram o mundo a vivenciar momentos de profunda crise com reflexos econômicos e industriais. No Brasil dos anos 70, o automobilismo crescia e as competições nacionais e regionais seriam marcadas naquela década por duas paralisações significativas para o esporte motor nacional. De um dia para outro, mais exatamente em 21 de julho de 1976, o então ministro da educação e cultura, Ney Braga, anunciava a proibição no país de qualquer competição automobilística.
Na época, a CBA - Confederação Brasileira de Automobilismo, era comandada por Charles Naccache, que chegou a fazer uma proposta emergencial, propondo a troca da gasolina por álcool em todas as corridas do país, mas a Agência Nacional do Petróleo e o próprio governo rejeitaram a sugestão “por verem o etanol como um substituto para carros de rua e suas reservas deveriam ser totalmente voltadas para esse fim”.
Então a CBA, tentando manter os campeonatos em atividade, argumentou com números, apresentando contas onde a soma de todas as provas do automobilismo nacional consumia 240 mil litros de gasolina, 0,021% do que o Brasil consumia no total. E o debate ganhou as páginas dos jornais, com comparações que não excluíram o consumo do próprio governo, demonstrando que os carros oficiais e as viagens de avião, eram muito mais representativos.
Nos Estados Unidos, como em outros países, também houve a necessidade de adaptação para enfrentar os problemas causados pelo alto preço do petróleo. “Na América, por exemplo, a Indy trocou no final dos anos 70 a gasolina pelo metanol, combustível utilizado até 2012, quando foi substituído pelo etanol (com uma adição de 15% de gasolina por questões de segurança para o fogo ficar mais evidente em situações de incêndio)”. E esse foi o caminho que o Brasil seguiu na segunda crise do automobilismo (1979), ainda em plena ditadura militar.
Naquele ano, a revolução do Irã, fez o preço do petróleo disparar de 13 para 34 dólares e mais uma vez, o governo militar brasileiro impõe ao automobilismo restrições, voltando a proibir todas as competições nacionais. Depois de longas negociações, somente no dia 12 de agosto a CBA e o Governo chegam a um acordo e promoveram uma mudança geral nos regulamentos, obrigando o abastecimento de todos os carros de competição com etanol.
Nascia ali o Programa do Proálcool que terá repercussões nos campeonatos de F-Ford, Fiat 147, Troféu Passat, Stock Car, chegando até na F1, quando a equipe Copersucar-Fittipaldi (1975-1982), chegou a ser utilizada como meio de propaganda da era do Álcool no Brasil.

Essa situação irá se prolongar durante mais de década, atingindo principalmente as provas de longa duração. A primeira prova de Endurance na qual todos os carros utilizaram Álcool foi nos Mil quilômetros de Brasília (1980), algo que impulsionou os calendários de provas longas, como no Campeonato Brasileiro de Marcas & Pilotos, um dos mais importantes da época.
“Em 1983, o autódromo de Tarumã sediou a quinta edição da 6 Horas de Tarumã e no ano seguinte, a Associação Guaporense de Automobilismo consegue aprovar na CBA, então presidida por Joaquim Mello, a realização da 12 Horas de Guaporé, prova que será realizada no dia 29 de setembro de 1984. A corrida, válida pela quinta etapa do Brasileiro de Marcas & Pilotos, foi um sucesso em todos os sentidos. A começar pelo fato de que em todas a história deste certame, realizado entre 1983 e 1994 e reeditado a partir de 2004, aquela edição recebeu o maior público para uma prova de 12 Horas, entusiasmado com a presença do visual dos carros e atraídos pela presença de cinco ex-pilotos de Fórmula 1: Ingo Hoffmann correndo com um Chevette, Alex Dias Ribeiro de Escort, além de Chico Serra, Wilsinho Fittipaldi e Emerson Fittipaldi que pilotaram seus Fiat Oggi. A prova contou com mais de 100 pilotos e 54 equipes realizaram inscrição, mas apenas 45 carros puderam largar devido o regulamento.
A edição de 1984 das 12 Horas de Guaporé foi vencida pela dupla de pilotos do Rio de Janeiro, Armando Baldi/Toni Rocha, pilotando o Voyage nº 50, após completar 364 voltas. Em segundo, Leonel Friedrich/Anor Friedrich, (RS) Voyage nº 43, 363 voltas. O pódio foi completado com Renato Connil/Antônio ´Janjão´Freire (RS) Oddi nº48, com 361 voltas.


A 12 Horas de Tarumã voltaria ao calendário em 1986 e assim como em Guaporé, recebeu o maior público da história em Viamão, que assistiu à vitória do Passat nº6 de Anor Friedrich/Serge Buchrieser/Waldir Buneder, após 490 voltas. O pódio contou ainda com João Sant´Anna/ Luiz Kuenzer (Chico Bala)/ Eduardo Fagundes Uno nº 37 em segundo, 487 voltas e em terceiro, Amedeo Ferri/César Ramos/Rogério Dias no Chevette nº 47 em terceiro, 485 voltas”.


E nunca mais as 12 Horas deixou de ser realizada no Rio Grande do Sul.
Fontes: 12 Horas Histórias e Estatísticas, Paulo Torino e Paulo Lava (2006) e Projeto Motor de Lucas Santochi.










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