Tarumã "É Lindo!"
- corridaonline
- 19 de jan.
- 2 min de leitura
Amanhecer de 1996…
por: Paulo Torino
Após uma tocada de quase duas horas na escuridão da madrugada, entreguei o carro ao companheiro, que aguardava no pit lane. Era o nosso primeiro turno de pilotagem, naquela 12 Horas de Tarumã.
Às cinco da manhã, despertei de uma breve pausa, um sono reparador, numa das camas improvisadas dentro do box da equipe Mottin Racing. Ainda era noite em Viamão e a agitação dos mecânicos anunciava que ainda estávamos na competição.
Vestido de macacão e sapatinhas, caminhei em direção a secretária do autódromo para buscar uma planilha atualizada da cronometragem. Antes de chegar no prédio, olhei para o horizonte e só enxerguei o grande nevoeiro que cobria toda à pista. Era uma bruma branca, esfumaçada, preenchida pelo ruído ensurdecedor dos motores dos carros, que, num instante, furavam a imagem e desapareciam, gritando em direção a curva do Laço.
Fiquei ali paralisado assistindo aqueles carros e ouvindo aquele som vindo lá da Curva 3.
Nunca mais esqueci aquela imagem e som daqueles motores, que ainda hoje, ecoam como música na minha memória.

— Curva 1, pé no fundo, uma pequena reta, um breve pé sobre o freio, Curva 2, mais acelerador, virando em direção à Curva 3, pé no fundo, até o cano de descarga gritar no giro máximo. Redução, freio, explosões do motor, debaixo do banco. Contorno do Laço, pé no fundo, outra vez, terceira e quarta marchas, redução para fazer a curva do Tala. Com o canto do olho, vemos o público sentado na arquibancada, os bandeirinhas e nada mais...
Curva 8, nove e pé no fundo mais uma vez para subir a reta em direção a linha de chegada.
"Tarumã é lindo", descreveu uma vez, o piloto paulista Edgard Mello Filho.




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