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Andando no 'vácuo'

Atualizado: Fev 14

E o mistério das freadas

por: Paulo Torino

No automobilismo ou nas corridas de 'velocidade' existem muitas coisas inexplicáveis. No esporte onde andar em velocidade máxima, o tempo inteiro, requer habilidades, técnica, sorte e muita falta de juízo, acontece coisas que não conseguimos explicar.

Foto: Paulo Torino

A maioria dos pilotos bem-sucedidos conta com uma habilidade ‘natural’ que, a cada nova corrida, vai se aprimorando com técnica e talento, e eles acabam sendo vencedores. Mas há ainda outros fatos, dinheiro, contatos e a sorte de estar no lugar certo na hora certa, para ter uma vida feliz nas competições...


Todos que se envolvem com corridas de velocidade sabem destes fatores e invariavelmente estão em constante luta para se manterem vivos nas competições. Mas há um aspecto que é inexplicável: - a freada, aquela redução de velocidade, como podemos explicar...

Fotos: arquivo Pit Stop/Pessoal


Tudo começa logo depois da largada e não importa se é uma corrida de kart, Fusca, Endurance, Carro antigo, Fórmula 1 ou Carrinho de lomba. Quando a luz verde acende, os pilotos aceleram em velocidade máxima, fazem, geralmente, a primeira curva ‘quase’ sem frear, mas logo adiante, haverá um ponto do circuito, onde todos terão que frear, uns atrás dos outros, formando numa grande fila indiana, onde o primeiro e o último, não sabem onde irão parar. Logo após esse movimento ‘quase instantâneo' de frenagem, há a diminuição de velocidade, para em seguida, todos imprimirem novamente, velocidade máxima.



É assim, durante todo o tempo, durante toda a corrida, em todas as provas. O problema é como calcular a freada, como diminuir a velocidade, ainda em alta velocidade, sem tocar ou bater no adversário, eis um mistério.


Sinceramente, mesmo depois de 20 anos correndo, nunca encontrei uma resposta científica e convincente de como fiz isso sem nunca ter tocado nos meus adversários. E olha que sempre andei no pelotão intermediário, onde essa intrigante situação, acontece umas cinco ou seis vezes a cada volta, no mínimo.


Fotos: Idalício Umpierre


De todas as coisas que já vivenciei, este é, para mim, o momento mais emocionante na prática do automobilismo. Nunca vou esquecer, mesmo depois de 24 anos competindo, da primeira largada e freada na minha primeira corrida de Kart 125, em Farroupilha, com quase 60 anos, contra os garotos de 20.

Das largadas nas 12 Horas e a alucinante freada da curva do Laço em Tarumã. Das corridas de Fórmula e das freadas, sem enxergar absolutamente nada, nos dias de chuva em Guaporé.

E aquelas primeiras corridas de Fusca, com aqueles dois canos de descarga apontados para cima, saindo quase meio metro além da traseira, e que desapareciam da minha visão a cada nova freada, lá no Laço, no Tala, na Nove, ou no contorno da Curva 1, sem nunca ter tocado neles...

Foto: Paulo Torino


E como explicar a primeira vez que assisti ao vivo uma corrida de Fórmula 1...


Era o ano de 1995, e logo que entrei no autódromo, a sessão de treinos livres do sábado já havia começado, corri para enxergar quem fazia aquele barulho ensurdecedor e vi pela primeira vez, um Fórmula 1. O carro que passou diante dos meus olhos era ‘avermelhado, com tons de verde e azul’, é só isso que posso descrever tamanha era a velocidade. Então virei a cabeça para a direita e tudo ficou mais claro. Não era apenas um F1, eram três, uma Ferrari, uma Williams e um Tyrrell, ‘colados’ um atrás do outro, e eram tão rápidos que se desfiguravam sem que ninguém pudesse identifica-los no meio da reta, mesmo há poucos metros de distância.

Sentei, incrédulo, e fiquei olhando para a cabeça daqueles pilotos, hipnotizado, para identificar através de seus capacetes, quem eram aqueles ‘seres extraterrestres’ , que se revelavam humanos, lá na ‘Descida do lago’...


O fotógrafo Paul Cahier é um mestre em captar esses movimentos...

(Piquet_1987_Austria e Senna_1990_Portugal) do site: The Cahier Archive




por: Paulo Torino




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