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Silverstone, por favor!


Essa é uma história deste século, mas os acontecimentos são do século passado.

Todos os anos, no mês de junho, o autódromo de Silverstone abre seus portões para receber a Fórmula 1. Essa tradição iniciada em 1950 é repetida até os dias de hoje, e quando assistimos pela TV, ou ouvimos pela rádio a corrida, não imaginamos como é realmente difícil chegar naquele lugar.

Alô amigos! Falamos ao vivo de Silverstone! Com essa frase emblemática o narrador Galvão Bueno, da TV Globo, abria as transmissões da Fórmula 1. Do helicóptero, a câmera sobrevoava o circuito e entre nuvens baixas, o sol e chuva iluminavam o grande circuito, onde um dia os ingleses treinaram seus pilotos para as sangrentas batalhas da II Guerra Mundial.

Quem não imaginou um dia estar em Silverstone? Todos os anos, durante a realização do GP de Fórmula 1, nós sonhamos com Silverstone. Desde os anos 70 ouvimos as vozes emocionadas de Tércio de Lima, Geraldo José de Almeida, Luciano do Valle, Galvão Bueno, Edgard Mello Filho, Oliveira Andrade, Léo Batista, Carlos Valadares, Luis Roberto, Cleber Machado e Sérgio Maurício, entre tantos outros e pensamos... – Um dia vamos estar em Silverstone!

Imaginávamos que sabíamos tudo sobre Silverstone, principalmente depois de assistir inúmeras vezes o programa SINAL VERDE, apresentado por Reginaldo Leme, sempre antes de cada novo GP.

No último final de semana de agosto, fomos ao encontro deste sonho. De férias, partimos da cidade do Porto, em Portugal, para Torino, na Itália. De lá, com os 38 graus que os termômetros italianos marcavam, descemos em direção ao mar mediterrâneo, para mergulhar nas praias de Sanremo, celebrar o verão, antes de seguir ao destino final, Silverstone, onde assistiríamos o 75º aniversário do mais famoso Festival de automobilismo da Europa numa temperatura de 10 graus à noite.

E agora que contamos tudo, vamos revelar o que nenhum narrador falou, o que faltou explicar nos programas do Reginaldo Leme, o que nenhum comentarista ou jornalista (ainda hoje) revelou.

– Como é possível chegar ao autódromo de Silverstone sem utilizar um transporte próprio (carro, moto, avião ou helicóptero)? - Será possível chegar ao autódromo de Silverstone utilizando simplesmente o transporte público?

Vamos contar....

O Festival em Silverstone teve início em 1948, quando o autódromo sediou sua primeira corrida de Grande Prêmio, onde os lendários Alfa Romeo, ERA, Ferrari e Maserati, inauguraram uma competição que se tornou, dois anos depois, o campeonato mais fabuloso da história – A Fórmula 1.

Quando iniciamos os preparativos desta aventura, verificamos que no site oficial do 75º Silverstone Festival havia todas as informações que necessitávamos, os valores dos ingressos, a venda do local de acampamento, as rotas de acesso até o circuito, tudo estava lá. Mas não havia uma informação: como chegar de ônibus ou trem. Com tudo adquirido, à exceção do transporte interno na Inglaterra, reservado e comprado, partimos ...

Como chegar?

Até a data de chegada não obtivemos resposta ao email que encaminhamos à organização sobre o deslocamento, única coisa que nos preocupava. Ao desembarcar no aeroporto de Stansted a fila para passagem na alfândega nos atrasou uma hora e meia. Após a saída, descobrimos o ônibus que nos levaria até a estação de trem Stratford (15 libras por trecho por pessoa). Na nossa próxima parada entramos no metro, o famoso Underground, trocando de linha em meio a Londres, para chegar à estação de trem Euston (6 libras por pessoa). Atenção que as máquinas de compra de bilhete não aceitavam dinheiro e o cartão de crédito foi essencial neste transporte. Em Euston fomos à bilheteria pedir ajuda. O atendente foi claro: teríamos que ir até Northampton e de lá ver o que conseguiríamos para ir até o circuito. Novamente entramos no trem (39 libras por pessoa ida e volta).

Fica a dica: cuidado ao realizar pagamentos em Londres. Sempre conte o dinheiro em frente ao atendente. Há o costume de dizer que o cliente deu menos do que deveria e se o atendente não for honesto, pode perder dinheiro.


Enfim, parecia que tudo iria dar certo, não fosse o ônibus que vai até o povoado de Silverstone, há 2,6 km do circuito que precisaria ser percorrido caminhando, não fosse limitado aos dias úteis, até 18h. Ou pagávamos um taxi, ou teríamos que dormir em um hotel. Após conversa, convencemos o taxista a nos levar 23 km ao custo de 50 libras. E foi assim que chegamos ao circuito.

A aventura culminou com a descoberta que o site do evento, com toda a sua complexidade, não informava que deveria ser comprado um espaço para a colocação da barraca no camping e a taxa por número de pessoas que ocupariam o espaço. Pagamos a taxa e ao chegar lá, descobrimos que o espaço não havia sido reservado. Como os próprios britânicos não compreendiam o site, perdoaram o equívoco e pudemos colocar nossa tenda no local.

Finalmente estávamos instalados em Silverstone!


No domingo, acordamos cedo, desmontamos a barraca, entregamos a tenda ao jovem inglês que nos ajudou a conseguir outro taxi no restaurante do Golf Club (e falava espanhol!). Parados no acostamento da antiga estrada principal A43, 10 milhas da autoestrada, esperamos um carro de cor roxa que deveria ter uma inscrição ZOOM numa placa branca. Às 10h35, uma Mercedes estacionou em frente à entrada principal do Golf Club e um simpático motorista paquistanês nos cumprimentou. Bagagens no porta-malas, iniciamos o caminho de volta à estação central de trem de Northampton (43 libras). No caminho, passamos pela nova fábrica da Aston Martin. Zoom, o motorista apontou e disse sorrindo – no último GP o piloto Lance Stroll mandou o helicóptero buscar em Londres seu cozinheiro chef. O enorme aparelho pousou bem ali, ele desceu, entrou num carro e sumiu. - Eles não colocam os pés no chão!

De Northampton, o trem partiu no horário, passamos por Milton Keynes, bem em frente as novas instalações da Red Bull Powertrains, a empresa de desenvolvimento, fabricação e manutenção de motores de Fórmula 1.

Londres estava no horizonte e a nossa memória ainda processava as 20 corridas que assistimos, o frio imenso que passamos, da chuva e do sol, do caminho gramado no entorno do imenso campo de Golfe, o barulho dos carros, o encantamento de caminhar pelo Museu de Silverstone, da música, dos costumes ingleses ...



As corridas: Historic Formula Junior, MRL Historic Touring Car Challenge, HSCC Thundersports, MRL Big Cat Challenge Thophy, Derek Bell Thophy for HSCC Formula Libre, MRL Royal Automobile Clube Woodcote Thophy, Masters Racing Legends (F1: 66-85), Masters GT Trophy, Masters Endurance Legends (uma homenagem aos 100 anos de Le Mans), Internacional Thophy for Classic GT Car Pré 66), HGPCA Pre 66 Grand Prix Cars, Adrian Flux Thophy for Transatrantic Pre 66 Touring Cars, Yokohama Trophy for Masters Sports Car Legend, HSCC Road Sports Trophy


No aeroporto voltamos à realidade, ouvindo um casal de brasileiros, com sotaque paulista, falando das dificuldades e desafios, da necessidade de mudar e seguir em frente...

“O futuro tem muitos nomes.
Para os fracos é o inalcançável.
Para os temerosos, o desconhecido.
Para os valentes é a oportunidade”.

Victor Hugo

 


Investimento – 3 dias em Silverstone: (2 pessoas)

Cotação 1 Libra: R$ 6,20

Ingresso e espaço na área de camping: 400 Libras (R$ 2.480)
Passagem aérea: Bergamo-Londres-Porto: 334 Euros (R$ 1.820)
Deslocamentos: trem, ônibus, metro: 157 Libras (R$ 975)
Alimentação e extras para 3 dias – 2 pessoas: 200 Libras (R$ 1.240)
Dois Taxi: 93 Libras (R$ 576,00)

Total: R$ 7.100

 

Silverstone, 25 a 27 agosto 2023

Paulo Torino e Patrícia Weber

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