top of page

O PATROCINADOR

corridaonline
há 4 dias
3 min de leitura

Atualizado: há 3 dias


“Tu não é manco, nê?”

por Paulo Torino


Os pilotos que vivem sonhando em correr, sempre estão correndo atrás de patrocinadores. No Rio Grande do Sul, as 12 HORAS de Tarumã representam uma despesa extra importante e o desejo de participar desta corrida, muitas vezes, representa um esforço redobrado na busca do patrocinador.



Em 1998 havia vencido o campeonato de F-Ford, no primeiro campeonato que premiou um campeão da Classe-B, onde os chassis Bino, Polar, JQ e Muffato competiam juntos com os Techspeed, Reynard e Minelli, com grid que chegava a 24 carros por etapa.



Foi a minha melhor temporada, desde que inicie no automobilismo, em 92. Corri 11 provas, venci nove, fazendo sete poles, correndo na equipe do Zé Laênio, o mesmo preparador do Chico Feoli na F2.

Foi também o ano que consegui o primeiro vice-campeonato correndo na Copa Chevette, dentro do campeonato de Marcas & Pilotos, além da segunda vitória nas 12 HORAS na categoria Turismo.



A Fórmula-Ford, era patrocinada por um posto de gasolina com bandeira da Petrobras e nas 12 HORAS, um patrocinador particular, que gostava de corridas me ajudava desde 96, e é aqui que tem início essa história, que me faz sorrir até hoje.


Torino e Rogério ´Alesi` Donelli fora do carro em Guaporé 96
Torino e Rogério ´Alesi` Donelli fora do carro em Guaporé 96

Sempre pagando pelas despesas nas provas, aquela 12 HORAS de Tarumã de 96 representava um gasto adicional, já que tinha pago para correr uma temporada inteira no gaúcho de Marcas, junto com o piloto Rogério Donelli. Finalizamos aquela temporada em segundo lugar na Copa Chevette, perdendo o campeonato por um ponto, para o Luciano Mottin.


Mas isso é uma outra história…


Então, muito motivado, 15 dias antes das 12 HORAS, depois de acertar minha participação na equipe Mottin Racing, liguei para um amigo para ver se me ajudava. Miltão, era uma espécie de talismã nas minhas corridas. Ele não perdia uma 12 HORAS e esteve presente em todas nove que participei, sendo, sempre, o primeiro a me abraçar, no domingo ao meio-dia.


Conversamos lá na Rádio Unisinos FM, emissora que eu dirigia desde 95. Ele me disse: “Paulo, não te preocupa. Vou ligar para um amigo que gosta de corrida e ele vai te patrocinar”. Pegou o telefone e ligou para o Clóvis, dono de uma conhecida loja de decoração de móveis em Porto Alegre. Quando desligou, já estava com a data e a hora do encontro agendados.


Cheguei no horário marcado na INOVARE e depois de uma breve conversa, o Clóvis me perguntou: - “Tu, não é manco, nê?”. Uma expressão muito utilizada no RS para definir um piloto que não é tão bom assim, como imagina.

Eu sorri e congelei ao mesmo tempo. Porque eu sou manco. Tive paralisia infantil quando era criança e fiquei com a perna esquerda ligeiramente mais curta. Como eu estava sentado no escritório, fiquei pensando, como eu iria levantar e caminhar pela loja sem que ele percebesse minha deficiência.

Felizmente, o Clóvis não percebeu que eu mancava e fechamos o patrocínio, que cobriu todas despesas naquela prova.

No domingo, 15 de dezembro, o Clóvis estava em Tarumã, com toda a família e de um motorhome estacionado entre as curvas 3 e o Laço, assistiram a nossa vitória naquela 12 HORAS.


Lembro bem de vê-los aplaudindo o Chevette#23, quando eu completei a última volta, antes da bandeirada final.



No pódio recebi seu abraço, depois de recebermos o troféu de 1º lugar Classe Turismo e 4º colocado na Geral.


Na segunda-feira, recebi o cheque e até hoje, o Clóvis não sabe que eu sou manco.

Comentários


Logo Corrida_anunario.png

Histórias de corrida

bottom of page